A inexistência de um planejamento sucessório pode acabar com a sua empresa

Jordana Felchilcher | 30/07/2018

A maioria das empresas são constituídas por membros da mesma família, seja no Brasil ou fora dele. Até aí tudo bem, nenhum problema! Ocorre que as empresas familiares não estão preparadas para a sucessão do comando da empresa.

 

Conflitos familiares

 

Quando o patriarca ou matriarca da família deixa a administração dos negócios em razão do seu falecimento ou até mesmo em decorrência da sua idade avançada, quase sempre o resultado é o mesmo: o início de intensas disputas entre os familiares pelo controle da empresa e da herança. Implicando, quase sempre, na suspensão ou diminuição das atividades empresariais.

 

Poucas empresas superam a sucessão

 

Segundo levantamento realizado pela PwC, a cada 100 empresas familiares no Brasil, apenas 30 chegam à segunda geração, 14 à terceira e cerca de 3 conseguem chegar à quarta geração. Isso ocorre porque as empresas não se preocupam com a implantação de um planejamento sucessório eficiente enquanto o patriarca ou matriarca ainda está nas atividades.

 

As razões para isso quase sempre são as mesmas:

 

  • o sucedido tem dificuldade em lidar com a própria mortalidade e adia a decisão de iniciar o planejamento;

  • os herdeiros não têm qualquer interesse em assumir uma posição na empresa;

  • os herdeiros têm interesse, mas não têm capacidade para gerir o negócio;

  • o escolhido para gerir enfrenta sérias dificuldades em lidar com os outros herdeiros, além de não vislumbrar para si um plano de carreira a curto, médio e longo prazo.

 

Planejando a minha sucessão

 

No processo de planejamento da sucessão o patriarca ou matriarca prepara toda sua família para a situação, determina as responsabilidades de cada um nos negócios da família e delega suas funções para os entes mais competentes.

 

Ou seja, ele(a) organiza em vida como vai se dar a transferência do patrimônio que construiu, prevenindo para que imprevistos não arruinem seu negócio e garantindo que seu legado seja mantido, bem como a capacidade financeira da família.

 

Alternativas para o planejamento

 

A sucessão planejada permite a utilização de várias ferramentas que visam a redução dos custos com a transferência patrimonial e a redução de conflitos familiares. Essas vão desde doação de bens, constituição do testamento, aquisição de seguros, gravação de cláusulas de incomunicabilidade, inalienabilidade e impenhorabilidade sobre os bens, até estruturas mais complexas.

 

A constituição da holding familiar aparece como uma alternativa mais complexa, mas ela é capaz de centralizar o patrimônio e a gestão dos negócios, investindo os herdeiros de participação no capital social. Isso evita a ocorrência de conflitos, mantém o patrimônio na família, reduz os custos da transferência dos bens e assegura a operação da empresa familiar a todo vapor.

 

Planejamento para as pequenas e médias empresas

 

Diferentemente do que a maioria das pessoas pensam, o planejamento sucessório é ainda mais fundamental para as pequenas e médias empresas. Isso porque os custos da sucessão não planejada e os conflitos familiares comprometem o funcionamento da própria empresa, podendo levar até mesmo ao seu encerramento. Ou seja, a sucessão pode acabar com a unidade produtiva e comprometer a única fonte geradora de renda da família.

 

Portanto, o planejamento sucessório das empresas familiares é imprescindível para que o processo de transferência do controle dos negócios não impacte na operação e acarrete o mínimo possível de gastos, para que preserve os bens dentro da própria família, garanta a continuidade financeira dos herdeiros e mantenha a boa relação entre todos os membros da família.

Escrito por Vinícius Ruas Duarte


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