No final de 2010, a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social instituíram o Cadastro de Empresa Ética com o intuito de promover um ambiente corporativo transparente, íntegro e ético.

O programa foi recebido com bons olhos pela maioria das entidades por se tratar de um importante mecanismo de fomento às boas práticas corporativas e de combate às fraudes.

A ideia da certificação é dar reconhecimento público às companhias que, independentemente do ramo de atuação e do porte, comprometem-se a implementar medidas voltadas à prevenção, à detecção e à remediação de atos de corrupção e de fraude, fomentando a adoção voluntária de medidas de integridade pelas empresas.

O objetivo do Pró-Ética é prevenir condutas ilegais, gerar valor e publicidade positiva para as empresas.

Essas medidas nada mais são que um conjunto de mecanismos e procedimentos internos que incentivam a denúncia de irregularidades e a aplicação de códigos de ética e de conduta, políticas e diretrizes que visem detectar e sanar desvios, fraudes e irregularidades.

A empresa íntegra adota práticas respeitosas com seus parceiros de negócio, funcionários, consumidores e também honra seus contratos e acordos pactuados.

Com o objetivo de incentivar as boas práticas nas empresas e adequá-las às mudanças trazidas pela Lei Anticorrupção (Lei n. 12.846/13), em 2014 foi criada uma nova metodologia de avaliação e de divulgação das companhias íntegras, a partir de uma valorização do programa com a premiação das aprovadas com o Selo Pró-Ética.

Desde a reestruturação do programa o número de inscritos tem aumentado, mas isso não refletiu no aumento de empresas habilitadas ao Selo Pró-Ética:

AnoEmpresas InscritasEmpresas Aprovadas
20159719
201619525
201737523

Isso ocorre porque a avaliação do programa é bem criteriosa e, da inscrição até a habilitação ao Selo, a empresa precisa ultrapassar o seguinte percurso:

Admissibilidade da Inscrição

Fonte: http://www.cgu.gov.br/

Análise do Perfil da Empresa

São observadas as áreas de atuação da companhia, sua estrutura, a relação com a Administração Pública, dentre outras questões que permitem compreender melhor o grau de exposição, o risco de corrupção e fraudes na empresa.

Questionário de Avaliação

Nessa etapa ocorre a análise dos seguintes pontos: (i) comprometimento da alta direção e compromisso com a ética; (ii) políticas e procedimentos; (iii) comunicação e treinamento; (iv) canais de denúncia e remediação; (v) análise de risco e monitoramento e (vi) transparência e responsabilidade social.

Pontuação

Após o preenchimento do questionário, a validação das respostas terá a seguinte pontuação:

Fonte: http://www.cgu.gov.br/

Cálculo da Avaliação para Habilitação

A empresa que alcançar pontuação mínima de 70 pontos e, cumulativamente, atingir o mínimo de 40% em cada uma das áreas do questionário estará habilitada a receber o Selo Pró-Ética.

Ao final de cada “concurso” é realizado um evento para divulgação da lista das empresas habilitadas, promovendo publicidade positiva e reconhecimento pelo público como uma empresa que se compromete com a prevenção e o combate à corrupção.

Em tempos de crise política, especialmente pelos constantes escândalos de corrupção vistos no Brasil, temos dado mais atenção aos programas anticorrupção dos políticos candidatos à eleição. Mas, independente dos meios adotados (legislação, organismos independentes, programas de educação, de combate à corrupção e de conscientização do cidadão), os programas devem existir de maneira ordenada e permanente.

Além disso, a mudança em si só vai ocorrer por completo quando houver uma transformação cultural, a começar pela sua empresa.