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Em meio à pandemia do Covid-19, a economia brasileira está em deflação. Mas o que isso significa? E por que nem todos os preços baixaram?

Em maio de 2020, o Brasil registrou deflação pelo segundo mês consecutivo. Mas, num país que ainda tem na memória a hiperinflação dos anos 80 e 90, pode ser difícil entender por que a crise atual tem o efeito oposto.

Para quem tem mais de 35 anos é fácil se lembrar da hiperinflação. Uma época que deixou um trauma no brasileiro, pois  o dinheiro entrava e se você não corresse para pegar os produtos antes que os preços fossem remarcados, poderia não ter mais o suficiente para comprar o produto. Se você não tem pergunte para alguém mais velho.

Entre os anos 80 e 90, a inflação chegou a superar os 80% ao mês. Os preços subiam descontroladamente, o poder de compra diminuía de um minuto para o outro. 

O IPCA e a deflação

O IPCA mede a variação de preços de produtos e serviços. Ele é calculado mensalmente pelo IBGE e abrange vários itens do dia a dia, como feijão e gasolina. Uma retração no IPCA significa, em linhas gerais, que a média dos preços está caindo em vez de aumentando.

Essa diminuição de maio é o maior tombo do IPCA nos últimos 22 anos e um indicativo de que a economia desacelerou devido à pandemia do novo coronavírus – algo que já vem sendo refletido também nas projeções do PIB brasileiro em 2020.

O IPCA reflete uma média de vários produtos e serviços e o resultado deste mês foi fortemente puxado para baixo pela queda do preço de combustíveis, impactados pelas restrições de viagens e baixa circulação de veículos. A gasolina, o diesel e o etanol caíram 4,35%, 6,44% e 5,96%, respectivamente.

Se a gasolina caiu, o preço dos alimentos subiu na pandemia. A rotina de comer em casa aumentou e isso se refletiu nos mercados – foi uma alta de 0,24% no mês. Olhando o acumulado dos últimos 12 meses, já são 6,48%.

Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), divulgada pelo IBGE, famílias que recebem até dois salários mínimos destinam 22% de sua renda a comprar comida e 9,4% para transportes – ou seja, gastam mais dinheiro com aquilo que vem subindo. Essa também é a camada mais afetada pelo desemprego. Em abril, de acordo com o IBGE, 4,9 milhões de brasileiros perderam o emprego – e 3,7 milhões deles eram trabalhadores informais.

O que essa deflação significa para o futuro?

Em poucas palavras, significa que o mercado está desaquecido – as pessoas estão gastando menos. Ao mesmo tempo, como mostram os números de alimentos, itens essenciais tiveram sim aumento de preço durante a pandemia.

As expectativas atuais são de uma retomada lenta da economia. A maior parte do mundo deve passar por um processo parecido: a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê uma recessão global de pelo menos 6% em 2020.

As incertezas continuam até que sejam desenvolvidas medidas mais eficazes de combate ao Covid-19, como uma vacina. 

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